terça-feira, 9 de dezembro de 2008

"A Criança" por Matilde Rosa Araújo

A CRIANÇA


Toda a criança.

Seja de que raça for

Seja negra, branca, vermelha ou amarela,

Seja rapariga ou rapaz.

Fale a língua que falar,

Acredite no que acreditar,

Pense o que pensar,

Tenha nascido seja onde for,

Ela tem direito…


…A ser para o homem a 

Razão primeira da sua luta.

O homem vai proteger a criança

Com leis, ternura, cuidados

Que a tornem livre, feliz,

Pois só é livre, feliz

Quem pode deixar crescer

Um corpo são,

Quem pode deixar descobrir

Livremente

O coração

E o pensamento.

Este nascer e crescer e viver assim

Chama-se dignidade.

E em dignidade vamos

Querer que a criança 

Nasça

Cresça,

Viva…


E a criança nasce

E deve ter um nome

Que seja o sinal dessa dignidade.

Ao sol chamamos Sol

E à vida chamamos Vida

Uma criança terá o seu nome também.

E ela nasce numa terra determinada

Que a deve proteger.

Chamemos-lhe Pátria a essa terra,

Mas chamemos-lhe antes Mundo…


… E nesse mundo ela vai crescer:

Já a sua mãe teve o direito

A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.

E, depois, a criança nascida,

Depois da hora radial do parto,

A criança deverá receber

Amor,

Alimentação

Casa,

Cuidados médicos,

O amor sereno de mãe e pai.

Rir,

Brincar,

Crescer,

Aprender a ser feliz…



E a criança nasceu

E a desabrochar como

Uma flor

Uma árvore,

Um pássaro,

Uma flor,

Uma árvore,

Um pássaro

Precisam de amor – a seiva da terra, a luz do sol.

De quanto amor a criança não precisará

De quanta segurança?

Os pais e todo o mundo que rodeia a criança

Vão participar na aventura

De uma vida que nasceu.

Maravilhosa aventura!

Mas se a criança não tem família?

Ela tê-la-á sempre: numa sociedade justa

Todos serão sua família.

Nunca mais haverá uma criança só

Infância nunca será solidão.


E a criança vai aprender a crescer.

Todos temos de ajudar!

Todos!

Os pais, a escola, todos nós!

E vamos ajudá-la a descobrir-se a si própria

E aos outros.

Descobrir o seu mundo,

A sua força,

O seu amor,

Ela vai aprender a viver

Com ela própria

E com os outros:

Vai aprender a fraternidade,

A fazer fraternidade

Isto chama-se educar:

Saber isto é aprender a ensinar.


Em situação de perigo

A criança, mais do que nunca,

Está sempre em primeiro lugar…

Será o sol que não se apaga

Com o nosso medo,

Com a nossa indiferença:

A criança apaga, por si só,

Medo e indiferença das nossas frontes…


A criança é um mundo

Precioso

Raro

Que ninguém a roube,

A negoceie, 

A explore

Sob qualquer pretexto.

Que ninguém se aproveite

Do trabalho da criança

Para seu próprio proveito.

São livres e frágeis as suas mãos,

Hoje:

Se as não magoarmos

Elas poderão continuar 

Livres

E ser a força do mundo

Mesmo que frágeis continuem…


A criança deve ser respeitada

Em suma,

Na dignidade do seu nascer,

Do seu crescer,

Sado seu viver.

Quem amar verdadeiramente a criança

Não poder

Á deixar de ser fraterno:

Uma criança não conhece fronteiras,

Nem raças

Nem classes sociais:

Ela é o sinal mais vivo do amor,

Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.

Frágil e forte, ao mesmo tempo,

Ela é sempre a mão da própria vida

Que se nos estende, nos segura

E nos diz:

Sê digno de viver!

Olha em frente!


Matilde Rosa Araújo


Gerar ideias - procurando sons, palavras, imagens ou objectos

A escravatura

Abordagem

perspectiva é a de que os alunos conduzam – de acordo com juízos e decisões tão pessoais quanto possível e em negociação grupal – processos de (A) definição e tratamento de conteúdos inerentes ao tema [relato de experiências, conhecimento de factos, emissão de juízos] e de (B) exploração de formas de expressão multidisciplinar [visual, sonora, literária] eminentemente experimentais procurando uma abordagem sensível ao universo em causa. Tratar-se-á de falar um tema que nos toca a todos através de códigos – entendendo-se por código todo o conjunto de significantes exclusivos e/ou dominantes no contexto em causa [formas de escrita, ícones, imagens, estruturas de comunicação em geral].

 


Proposta para um ano lectivo


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Propõe-se o envolvimento e co-articulação de quatro turmas do 7º ano do Colégio Luso Francês na realização de um produto áudio-visual e expositivo, subordinado ao mote "Direitos Humanos - Caminho de Reconciliação". O projecto visa a criação de um espaço que possibilite o desenvolvimento de processos de expressão criativa no campo áudio-visual, resultantes da pesquisa e reflexão em torno do tema.  O objectivo é que o trabalho se traduza em dois tipos de produto final: 

Um documento audiovisual (filme), com a duração aproximada de 32 minutos. Trinta e dois minutos porque o argumento do nosso filme (a carta dos direitos humanos das Nações Unidas) tem 30 artigos. Atribuídos 1 minuto de filme a cada artigo, mais 2 minutos para o genérico inicial/ficha técnica e ficamos assim com 32 minutos a ocuparem-nos um ano lectivo inteiro! 

Por sua vez, este tempo dividir-se-à em 16 segmentos de filme de 2 minutos cada, que reflectirão, por seu turno, o trabalho de cada um dos 16 grupos que formam as quatro turmas do 7ºano. O que é o mesmo que dizer que cada grupo de alunos de 6 a 7 elementos debruçar-se-á sobre 2 artigos dos 30 artigos. (Sim, houve um pouquinho de matemática básica durante a concepção :-) 

O segundo produto final que se espera sair de tudo isto é uma exposição/instalação, montada periodicamente num espaço do Colégio (a definir). Esta exposição revelará o lado de dentro do trabalho realizado pelos alunos e professores. Consistirá numa espécie de descontrução do filme que proporcione ao espectador um maior sentido de cumplicidade para com os criadores.  Aqui, poderão ver-se e ouvir-se os materiais e as matérias usadas na pesquisa, na metodologia e  na realização do projecto.